segunda-feira, 24 de março de 2014

Os dois cestos de figos.


OS DOIS CESTOS DE FIGOS

1 Fez-me ver o SENHOR, e vi dois cestos de figos postos diante do templo do SENHOR, depois que Nabucodonosor, rei da Babilônia, levou em cativeiro a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá, e os artífices, e os ferreiros de Jerusalém e os trouxe à Babilônia.
2 Tinha um cesto figos muito bons, como os figos temporãos; mas o outro, ruins, que, de ruins que eram, não se podiam comer.
3 Então, me perguntou o SENHOR: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Figos; os figos muito bons e os muito ruins, que, de ruins que são, não se podem comer.
4 A mim me veio a palavra do SENHOR, dizendo:
5 Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus.
6 Porei sobre eles favoravelmente os olhos e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei e não os destruirei, plantá-los-ei e não os arrancarei.
7 Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o SENHOR; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração.
8 Como se rejeitam os figos ruins, que, de ruins que são, não se podem comer, assim tratarei a Zedequias, rei de Judá, diz o SENHOR, e a seus príncipes, e ao restante de Jerusalém, tanto aos que ficaram nesta terra como aos que habitam na terra do Egito.
9 Eu os farei objeto de espanto, calamidade para todos os reinos da terra; opróbrio e provérbio, escárnio e maldição em todos os lugares para onde os arrojarei.
10 Enviarei contra eles a espada, a fome e a peste, até que se consumam de sobre a terra que lhes dei, a eles e a seus pais (Je 24.1-10).


Na Escritura Sagrada encontramos muitos fatos e histórias marcantes. Um dos mais importantes é o que chamamos de Exílio Babilônico, acontecido no ano 587 a.C.. Este evento importante na história bíblica foi a deportação em massa dos judeus, do reino de Judá, para a Babilônia, por Nabucodonosor, seu rei. O reino do Norte de Israel já havia desaparecido em 722 a.C. com a destruição da capital, Samaria, em que a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria. O reino do Sul também termina tragicamente com a destruição da capital Jerusalém e parte da população é deportada para Babilônia. Jerusalém é sitiada e Jeoaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é saqueado e destruído e parte da nobreza, inclusive o rei, são levados para o Exílio em Babilônia.
Os que permaneceram em Judá viviam em uma tremenda miséria, em que a fome e a insegurança eram constantes. E os que partiram para o exílio levavam a imagem de uma cidade destruída. As instituições foram desfeitas: o Templo, o culto, a monarquia e a classe sacerdotal. Todos viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá. Os exilados na Babilônia reportaram em um salmo a dor que viveram:

1 Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.
2 Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas,
3 pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião.
4 Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?
5 Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.
6 Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria (Sl 137.1-6).

A experiência vivida, tanto pelos que ficaram como pelos que saíram, era de provação, castigo e reconhecimento da infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que poderia salvar o seu povo e os conduzir em um novo êxodo de volta a Sião. Quando Jeremias escreve texto básico acima, o cativeiro já havia acontecido, conforme descreve o verso primeiro. Deus, então, manda uma mensagem tanto para os que ficaram como para os que foram levados. Podemos tirar algumas lições desta mensagem:

1 – UMA PALAVRA QUE SE CUMPRIU

1 Fez-me ver o SENHOR, e vi dois cestos de figos postos diante do templo do SENHOR, depois que Nabucodonosor, rei da Babilônia, levou em cativeiro a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá, e os artífices, e os ferreiros de Jerusalém e os trouxe à Babilônia.

O principal motivo para o exílio de Judá, que constituiu a perda da liberdade dos judeus, foi a quebra da aliança estabelecida entre Deus e o seu povo.

A – A aliança entre Deus e o povo
Quando Israel foi libertado da escravidão do Egito, Deus estabeleceu uma aliança entre Ele e o povo de Israel:

5 Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha;
6 vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa (Ex 19.5,6).

Deus lembrava, através de seus profetas, o teor desta aliança ao povo:

1 Palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo:
2 Ouve as palavras desta aliança e fala aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém;
3 dize-lhes: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Maldito o homem que não atentar para as palavras desta aliança,
4 que ordenei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: dai ouvidos à minha voz e fazei tudo segundo o que vos mando; assim, vós me sereis a mim por povo, e eu vos serei a vós outros por Deus;
5 para que confirme o juramento que fiz a vossos pais de lhes dar uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então, eu respondi e disse: amém, ó SENHOR!
6 Tornou-me o SENHOR: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras desta aliança e cumpri-as.
7 Porque, deveras, adverti a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, até ao dia de hoje, testemunhando desde cedo cada dia, dizendo: dai ouvidos à minha voz (Je 11.1-7).

A aliança consistia em o povo obedecer a Deus, dar ouvidos a voz de Deus.

B – A quebra da aliança por parte do povo
Mas o povo não deu ouvidos à Lei de Deus, aos Seus mandamentos, aos Seus conselhos, antes viraram as costas ao Seu Deus.

8 Mas não atenderam, nem inclinaram o seu ouvido; antes, andaram, cada um, segundo a dureza do seu coração maligno; pelo que fiz cair sobre eles todas as ameaças desta aliança, a qual lhes ordenei que cumprissem, mas não cumpriram (Je 11.8).

13 Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas (Je 2.13).

O que significava esta quebra de aliança? Significava o abandono ao verdadeiro Deus e a autoconfiança do povo. Significava que o povo não queria ter O SENHOR como seu Deus. Significava que o povo não queria fazer as coisas que O SENHOR ordenava. Significava que o povo não queria ter os mandamentos de Deus como normas para regerem suas vidas.
Quais as evidências dessa quebra do pacto entre Deus e o seu povo? A idolatria do povo, o egoísmo crescente na nação, as injustiças sociais e governos opressores, os falsos profetas e sacerdotes corruptos e a crença na inviolabilidade do templo e da cidade de Jerusalém. Não queriam O SENHOR como Deus, mas o queriam como um talismã, estavam interessados somente na proteção e na segurança que O SENHOR lhes ofereciam. Deus chegou a indagar com o povo:

11 Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito (Je 2.11).

Eles quebraram a aliança com o seu Deus.

C – As conseqüências da quebra da aliança
Conforme as regras da aliança, assim como havia bênçãos sem medidas para a obediência, havia também duras penas para a desobediência:

3 Assim diz o SENHOR: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar.
4 Porque, se, deveras, cumprirdes esta palavra, entrarão pelas portas desta casa os reis que se assentarão no trono de Davi, em carros e montados em cavalos, eles, os seus servos e o seu povo.
5 Mas, se não derdes ouvidos a estas palavras, juro por mim mesmo, diz o SENHOR, que esta casa se tornará em desolação (Je 22.3-5).

4 Dize-lhes, pois: Assim diz o SENHOR: Se não me derdes ouvidos para andardes na minha lei, que pus diante de vós,
5 para que ouvísseis as palavras dos meus servos, os profetas, que, começando de madrugada, vos envio, posto que até aqui não me ouvistes,
6 então, farei que esta casa seja como Siló e farei desta cidade maldição para todas as nações da terra (Je 26.4-6).


Por isso que o motivo principal para o exílio babilônico foi a quebra da aliança por parte do povo. O exílio resultou na morte de muitas vidas e trouxe uma grande humilhação sobre toda a nação de Judá e tanto o templo como a cidade de Jerusalém se tornou em desolação. Tudo ficou em ruínas!
Antes de enviar o exílio, Deus advertiu inúmeras vezes o povo a se arrependerem de seus pecados e se voltarem para Ele. Até as portas do exílio, em uma última oportunidade, Deus envia seu profeta Jeremias em uma última tentativa de evitar o peso de Sua mão contra Judá:

2 Assim diz o SENHOR: Põe-te no átrio da Casa do SENHOR e dize a todas as cidades de Judá, que vêm adorar à Casa do SENHOR, todas as palavras que eu te mando lhes digas; não omitas nem uma palavra sequer.
3 Bem pode ser que ouçam e se convertam, cada um do seu mau caminho; então, me arrependerei do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações (Je 26.2,3).

Mas o povo não ouviu a Jeremias, antes o prendeu e quase o matou. Deus, então, envia o castigo e, no Seu furor, destrói o templo, a cidade de Jerusalém e leva cativo para Babilônia o Seu povo. Deus disciplina o Seu povo, mas não o abandona e esta é a mensagem que Jeremias leva agora para o povo:

2 – A VISÃO DOS DOIS CESTOS DE FIGOS

2 Tinha um cesto figos muito bons, como os figos temporãos; mas o outro, ruins, que, de ruins que eram, não se podiam comer.
3 Então, me perguntou o SENHOR: Que vês tu, Jeremias? Respondi: Figos; os figos muito bons e os muito ruins, que, de ruins que são, não se podem comer.

Jeremias viu dois cestos de figos. Um dos cestos tinha figos muito bons, enquanto o outro tinha figos tão ruins que não podiam ser comidos. Deus vai lhe explicar a visão. Ela significava uma mensagem que Jeremias deveria levar tanto para os que ficaram como para os que foram cativos, mas o teor da mensagem era muito diferente para ambos, para uns o favorecimento de Deus e para outros o desprezo pela sua desobediência:

A – O cesto de figos bons

Um dos cestos continha figos bons, figos temporãos, que são figos que amadure­cem antes do verão, são figos tratados como a mais fina iguaria. O que eles representavam?

5 Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Do modo por que vejo estes bons figos, assim favorecerei os exilados de Judá, que eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus.
6 Porei sobre eles favoravelmente os olhos e os farei voltar para esta terra; edificá-los-ei e não os destruirei, plantá-los-ei e não os arrancarei.
7 Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o SENHOR; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração.


Estes fi­gos muito bons representavam os cativos levados para a Babilônia. Por meio deles, no futuro, Deus restau­raria a nação de Judá. Daniel, Ezequiel, os três jovens hebreus lançados na fornalha e Jeconias (Joa­quim) estavam entre os bons figos.
Como essa profecia deve ter encorajado os desesperançosos exilados em Babilônia! Também serviu para repre­ender os que escaparam do cativeiro, os quais deveriam estar julgando-se superiores aos exilados na Babilônia, mas segundo a mensagem de Deus, o cesto dos figos bons é que alcançaria o favor do Senhor, e ele representa aqueles que, mesmo exilados, viveriam debaixo de Sua proteção e guarda, sob os cuidados do Altíssimo. Deus ordena que Jeremias escreva e mande uma carta para os exilados em Babilônia e o teor desta carta dizia:

4 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia:
5 Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e comei o seu fruto.
6 Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais.
7 Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz (Je 29.4-7).

A bênção estava sobre aqueles que foram levados ao cativeiro, àqueles que se entregaram aos opressores. O povo queria fugir para o Egito a fim de preservar a vida ou, então, queria resistir aos invasores, mas Deus lhes diz que a única chance de sobrevivência é se entregar ao inimigo:

6 Agora, eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e também lhe dei os animais do campo para que o sirvam.
7 Todas as nações servirão a ele, a seu filho e ao filho de seu filho, até que também chegue a vez da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis o fizerem seu escravo.
8 Se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o SENHOR, até que eu a consuma pela sua mão.
12 Falei a Zedequias, rei de Judá, segundo todas estas palavras, dizendo: Metei o pescoço no jugo do rei da Babilônia, servi-o, a ele e ao seu povo, e vivereis.
13 Por que morrerias tu e o teu povo, à espada, à fome e de peste, como o SENHOR disse com respeito à nação que não servir ao rei da Babilônia? (Je 27.6-8, 12,13).

O que Deus nos diz, nesse texto, sobre uma situação ameaçadora, é justamente o contrário do que nossa natureza fala. Naturalmente, como seres humanos, queremos fugir da dor, da ameaça e do perigo, mas Deus diz que para mantermos a vida, em alguns momentos, é preciso passar pelo deserto!
Às vezes, o instinto de sobrevivência nos trai e nos faz fugir do lugar e da situação em que Deus quer que estejamos. Às vezes, pode parecer loucura para nós, mas o melhor lugar para estar, o único lugar em que estaremos com o Senhor, é no deserto! É onde, aparentemente, só nos espera dor e sofrimento, mas é somente lá que conseguiremos estar com o Senhor. Somente lá usufruiremos a Sua Presença. Somente ali, por mais difícil que seja, por mais que doa o coração, por mais amargura que se passe, por mais lágrimas que se verta, somente ali é o centro da vontade de Deus para nossa vida.
Por isso, não tenha medo de experimentar a realidade de estar no deserto. Não tenha medo de pertencer ao cesto de figos bons, onde podemos experimentar os cuidados, a bênção e a proteção do Senhor.
Hoje, o cesto de figos bons representa os chamados, os escolhidos do Senhor, os Seus filhos amados, arrependidos do pecado, que temem ao Altíssimo e por Ele são protegidos. Todos os filhos do cesto bom são luz na escuridão, onde as trevas não os alcançam. Não importa se estão no vale ou na montanha, em um deserto ou no jardim, os filhos da Luz sempre serão abençoados pelo Criador, pois Deus os escolheu para amar e proteger e nunca os desampara, conforme as palavras de Jesus:

15 Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal (Jo 17.15).

27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.
28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão (Jo 10.27,28).

Para nós, que somos filhos da luz, quando as lutas e o mundo fazem de nosso coração um inverno, Jesus sempre renasce a primavera em nossa vida, a esperança das Suas promessas revigora nossas forças e nos dá ânimo para prosseguir até o fim. Para nós, que somos filhos da luz, quando uma de suas ovelhinhas é ferida, Ele a socorre com todo Seu amor, Ele a cerca de cuidados e não a desampara pelo vale. Para nós, que somos filhos da luz, mesmo com nossos erros o Senhor sempre reserva para nós os melhores cuidados. Se você é um filho da luz, lembra que o inimigo, o mundo, as tuas lutas não são e nunca serão maiores que o nosso Deus.
Perceba o valor que os filhos da luz têm para o Senhor quando Ele diz que há mais alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Lc 15.7). O céu se alegra quando um filho da luz deixa as trevas e vem para a luz. Não há amor maior, não há cuidado maior que o do Senhor nosso Deus. Lázaro canta um hino que diz:

Filho eu quero tanto
Enxugar teu pranto te fazer só meu.
Filho eu quero ser teu Deus
Eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto
Filho vem ser meu, filho eu quero ser teu Deus. (Eu te amo tanto)

Se você ainda não é um filho da luz, ainda há tempo de se tornar um, basta aceitar aquele que hoje te oferece a oportunidade, basta abrir seu coração e entregar sua vida a Jesus. Se você é um filho da luz, mas está perdido nas trevas, ainda há tempo de voltar aos braços do Pai, que é o teu lugar. Cristo te chama! Ele nunca se esqueceu de ti, Ele te ama mesmo com tuas falhas e transgressões, mesmo quando dás as costas para Ele. Ele te espera de braços abertos com todo o Seu amor infinito. Ele conhece os anseios do teu coração. Ele só espera teu passo, a tua decisão.

B – O cesto de figos ruins

Ruim é uma palavra que abrange uma infinidade de sentidos de cunho negativo: inútil, sem mérito, estragado e deteriorado. Quando dizemos que uma fru­ta está ruim, em geral nos re­ferimos à qualidade do seu sabor e do seu estado, ao fato de não ser ou estar agradável ao paladar.
No cesto de figos ruins temos um símbolo dos cativos de Zedequias e daqueles judeus rebel­des que perma­neceram com ele em Judá. Sobre esses cairia o juízo divino.

8 Como se rejeitam os figos ruins, que, de ruins que são, não se podem comer, assim tratarei a Zedequias, rei de Judá, diz o SENHOR, e a seus príncipes, e ao restante de Jerusalém, tanto aos que ficaram nesta terra como aos que habitam na terra do Egito.
9 Eu os farei objeto de espanto, calamidade para todos os reinos da terra; opróbrio e provérbio, escárnio e maldição em todos os lugares para onde os arrojarei.
10 Enviarei contra eles a espada, a fome e a peste, até que se consumam de sobre a terra que lhes dei, a eles e a seus pais.

A situação daqueles que ficaram, que escaparam do cativeiro, ficaria cada vez mais caótica.
Que tragédia é pertencer ao cesto de figos ruins! Neste cesto estão aqueles que não foram cativos para Babilônia, aqueles que fugiram do deserto e não quiseram enfrentar as lutas do vale! Para eles sobraram a completa rejeição de Deus! Tire o nome de Zedequias neste texto e coloque o seu e pense na tragédia que seria?

8 Como se rejeitam os figos ruins, que, de ruins que são, não se podem comer, assim tratarei (ao Luiz), diz o SENHOR.
9 Eu farei (do Luiz) objeto de espanto, calamidade para todos os reinos da terra; opróbrio e provérbio, escárnio e maldição em todos os lugares para onde os arrojarei.
10 Enviarei contra (o Luiz) a espada, a fome e a peste, até que se consuma de sobre a terra, a ele e a seus pais.

Hoje, os que pertencem ao cesto dos figos maus são os ímpios, aqueles que praticam iniqüidades e adoram a falsos deuses. São os que não reconhecem que só o SENHOR é Deus! As suas maldades, as suas transgressões cairão em suas cabeças. Para todo o sempre estarão na angústia e na dor. Este é o destino dos filhos da escuridão. E seus nomes não estão escritos no livro da vida.
Os termos bons e maus são usados como comparação para mostrar a beneficência de Deus aos bons e o Seu castigo aos maus. Os bons eram olhados por Deus com favor e Deus os estimava e os viam como quem vê bons figos com bons olhos. Deus os salvaria da calamidade e os condu­ziriam em segurança. O mesmo não aconteceria aos figos maus.
A qual cesto você se enquadra? A qual cesto você quer pertencer? Qual o futuro da sua alma? Será que hoje você foge do deserto, afastando-se daquele que te oferece a vida? Será que hoje você rejeita as oportunidades que são oferecidas por aquele que tanto te ama? Se você se enquadra nos figos de cesto ruim, clame a Deus por misericórdia, faça alguma coisa, mude sua situação e volte para os braços do Pai porque hoje Ele te chama, porque hoje Ele te oferece a Sua salvação, hoje Ele te oferece os Seus cuidados, a Sua proteção, o Seu eterno amor.

3 – APLICAÇÕES PRÁTICAS

A – Deus nunca volta atrás com Sua palavra

Deus prometeu abençoar a nação de Israel. Deus prometeu que todas as nações da terra seriam abençoadas através de Israel. Deus prometeu jamais desamparar o Seu povo. O exílio não significou a quebra dessas promessas, mas a confirmação da presença real de Deus no meio de Seu povo. A nação não se perdeu, o povo não se misturou, voltaram e reconstruíram o templo, os muros e a cidade de Jerusalém e mais do que isso, trouxeram os utensílios de ouro e de prata do templo. Isso nunca aconteceu na história de um povo a não ser na história do povo de Deus. Deus prometeu que da descendência de Davi sairia o Messias. A família real foi levada cativa para Babilônia, perderam o trono, mas não perderam a promessa, pois Deus garantiu, lá no exílio, a subsistência da família real de Judá.

B – Leva a sério a tua aliança com o SENHOR

Deus advertiu a nação de Israel para se voltarem para Ele, mas Israel não deu ouviu a voz de Deus e foram levados cativos pela Assíria e nunca mais retornaram. Deus advertiu a nação de Judá para deixarem seus deuses e suas abominações, senão eles também seriam levados cativos, mas Judá também rejeitou a aliança com seu Deus e Deus mandou o exílio. Toda a nação sofreu. Toda a nação chorou. Toda a nação foi envergonhada pelos seus inimigos.
Um dia, quando você fez sua profissão de fé e se batizou, você fez também votos a Deus diante de toda a Igreja. Como estão os seus votos? Como está a tua aliança com o teu Deus? Ela está firme? Tuas palavras estão de pé? Está cumprindo tudo aquilo que prometeu? Leva a sério os teus votos!

C – Deus está presente nos desertos de nossa jornada

Os judeus foram arrebatados pelas feras, foram levados para o covil das feras, conviveram no meio das feras, mas as feras não lhes tocaram e lá não sofreram nem um arranhão, porque Deus os abençoava, os guardava e estava ali presente com eles, tornando os seus jugos mais suaves e os seus fardos mais leves. Não importa a secura de seu deserto, para Deus não faz diferença porque Ele é ilimitado em seu poder, não há nada que Ele não possa fazer por você.

Conclusão

Quando você não puder explicar o que Deus está fazendo na sua vida você precisa entender que Deus é Soberano e que Ele está com as rédeas de sua vida em Suas mãos. Pense que Ele pode estar te levando para algo maior e melhor, pois Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. Os filhos de Deus não sofrem sem causa, sem propósito, afinal, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” Rm 8.28. Lembre-se de que o sofrimento é a escola superior do Espírito Santo em que Deus ensina aos seus filhos as mais profundas lições da vida. Quando Deus nos permite sofrer, quando Ele nos leva para o deserto, é porque está nos dando um curso avançado. Depois da tempestade, passamos a conhecer melhor ao Deus que servimos.
Deus, em silêncio, está lutando por você. Tenha a certeza de que não há crise que Deus não possa reverter. Os desígnios de Deus não podem ser frustrados. Se você não encontra explicações entenda que o seu Deus é Onipotente. No tempo dele, Ele poder reverter o quadro que te assola. Não perca a esperança. Não desanime. Não fique prostrado no meio do caminho. Não entregue os pontos. Levante a cabeça, pois Jesus te ama e Ele quer estar do seu lado na hora mais difícil de sua vida, quer ser seu amparo, quer ser seu sustentador. Quer ser seu salvador. Quer ser seu libertador. Entregue-se nas mãos daquele que pode enxugar as sua lágrimas! Que Deus te abençoe! Amém!


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Texto de: Luiz Lobianco
Site: http://osmeussermoes.blogspot.com.br/2011/06/os-dois-cestos-de-figos.html
luizlobianco@hotmail.com

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Hoje no Água Para Vida trouxe este sermão que encontrei em um blog. Este é um conteúdo extremamente rico e agradável para nós. Leia. Releia e ouça. Graça e Paz. Até amanhã.